Segundo o delegado do Gaeco, Alan Flore, apenas em alguns momentos os institutos Atlântico e Gálatas atuaram juntos. Inquérito aponta que ex-procurador Fidélis Canguçu teria recebido R$ 115 mil em propina
30/05/2011 | 19:00 | DANIEL COSTA, COM INFORMAÇÕES DE FÁBIO SILVEIRAOs institutos Atlântico e Gálatas, suspeitos de desviarem recursos públicos da saúde de Londrina, agiram separadamente. Esta é uma das conclusões do inquérito criminal concluído pelo pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Operação Antissepsia. O delegado Alan Flore encaminhou o relatório final para o Ministério Público (MP) que definirá se apresentará denúncia.
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Contudo, o delegado preferiu não divulgar se haverá mais envolvidos e as medidas adotadas alegando que ainda é necessária “uma avaliação do Judiciário”. “Não seria uma medida específica, seria o reconhecimento da Justiça quanto à procedência delas [medidas]”, declarou.
Lobby e corrupção
Segundo o delegado, as investigações comprovaram que os ex-conselheiros municipais de Saúde Marcos Ratto e Joel Tadeu (que continua preso), que foram presos fizeram lobby para a contratação dos institutos Atlântico e Gálatas. Para isso, eles teriam recebido R$ 4.500 e R$ 15 mil, respectivamente.
Flore afirmou que o ex-procurador Fidélis Canguçu teria recebido pelo menos R$ 115 mil em propina. Seriam R$ 65 mil do Atlântico (um Ford Fusion, de R$ 45 mil, um Golf, de R$ 17 mil e R$ 3 mil em depósito na conta da esposa dele) e R$ 50 mil do Gálatas.
Parte do dinheiro desviado foi usada para o pagamento dessas propinas. O restante, de acordo com o delegado, foi usado “para o benefício dos diretores das Oscips”.
Os seis envolvidos que tiveram a prisão preventiva decretada: Fidélis Canguçu, Joel Tadeu, oscontadores Flávio e Antonio Martins, Alessandro Martins e Juan Monastério, deverão continuar detidos. “Diante do respeito ao prazo, as prisões permanecem e a somente uma decisão da Justiça para libertá-los, mas acreditamos que ela deve perdurar”, afirmou Flore.
HC negado
O Tribunal de Justiça do Paraná negou um pedido de Habeas Corpus pedido pela defesa do empresário Juan Monatério, preso desde do dia 16 de maio, na Operação Antissepsia, que investiga a suspeita de um esquema de desvio de recursos da saúde por duas Oscips contratadas pela Prefeitura de Londrina. A decisão foi do desembargador José Rotoli de Macedo, no último dia 25.
No despacho, o magistrado também indeferiu um pedido de assistência judiciária gratuita. Para justificar a decisão, o juiz afirmou que “não há nos autos prova da hipossuficiência financeira do paciente, ao contrário, evidencia-se na qualificação, ser empresário, além de ter sido juntada às fls. 36, comprovante de pagamento de sua conta telefônica referente ao mês de março, no valor de R$ 201,85 (duzentos e um reais e oitenta e cinco centavos) e às fls. 46, comprovante de uma viagem que realizou com sua esposa, no dia 10/05/2011, ida e volta, no mesmo dia, à cidade de Brasília, pela companhia aérea Gol, sendo pago por estas passagens o valor de R$ 863,36 (oitocentos e sessenta e três reais e trinta e seis centavos)”.
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